terça-feira, 1 de maio de 2012

A estrada





Não tem jeito melhor de falar de estrada que assim:

Dentro do carro.
Acelerando. Dando play no som, ouvindo Beck - Everybody's gotta learn sometime,Acenando pro que passou.Essa estrada que na verdade costumo chamar de vida.Esse carro que costumo chamar de /ego/eu.Essa música que costumo chamar de consciência, de tristeza, de alegria.São mil “faces” numa canção.E assim como no trânsito, nossa vida tem vários momentos. Momentos para serem aproveitados a 30km/h, que devem ser eternizados e lentos.Momentos de medo que devemos acelerar mas com cuidado, a estrada é uma caixa de surpresa.Uma via básica que às vezes tem mão dupla. Mas quase sempre as faixas que dividem a pista pra quem vem e vai não passam de ilusão, porque no carro você só pode contar consigo.Com a sua segurança, a sua habilidade.Raros são os outros carros que vêm e que você realmente pode contar com segurança, sem medo de ultrapassar medos a 120km/h, raros são esses que você pode contar numa manobra difícil na avenida.A gente segue por uma estrada em que os olhos às vezes, muitas vezes, visitam os retrovisores, para espiar o passado.Costumamos ver batidas, arranhões, mas também vemos medalhas e o pódio com você em cima do número 1.Mas depois de seguir adiante raramente existirá retornos, raramente existirá uma volta para as decisões tomadas. Pra cada bifurcação onde fez tua escolha. Onde resolveu seguir.Em muitos momentos o chão vai machucar, vai ter cascalho, vai ter pedras, mas isso são apenas obstáculos pra você forçar seu motor a seguir, a desgastar os pneus. O cansaço, o stress.Tudo chega no fim, ou com a morte na estrada, afinal não somos eternos em nossa estrada, ou até chegarmos mais uma vez no fim da corrida. Num limite da vida.



Reiri Bittencourt e Veronica Martins


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Como diria a Florence “I was looking for the breath of life”. Estamos sempre procurando o caminho certo a seguir. Sempre analisando demais todas as situações. Sempre preocupados com o futuro, temendo aquilo que nem sabemos se irá acontecer. O medo. O medo nos impede de viver os momentos mais inesperados e surpreendentes em nossas vidas. A vida e todos os sentimentos confusos que ela traz não podem ser planejados ou controlados. Eu nunca consegui traçar uma linha reta nem mesmo usando uma régua. Eu vivi por muitos anos o futuro por considerar o presente insuportável. Hoje não escolho mais as estradas a seguir, não faço planos, não crio expectativas, tento respirar conforme o oxigênio está disponível para mim. Eu decidi simplesmente viver, aceitar a felicidade em todas as suas formas e cores e jamais negar meus sentimentos ou tentar evitar minhas vontades. E voltando com a Florence “And I need one more touch, Another taste, a heavenly rush, And I believe, I believe it’s so”

Angelica Frigini

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